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Entidades empresariais têm de redefinir caminhos
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Mudar ou morrer
Luiz Affonso Romano*
As entidades empresariais - órgãos legítimos de expressão e de representação dos mais diferentes setores- estão obrigadas a redefinir um caminho diferente do percorrido até aqui. Não é mais aceitável, nem mesmo sob a rota justificativa da necessidade de sobrevivência, preservar um comportamento amorfo, linear ou parcial. Caso não se tornem porta-vozes eficazes dos seus associados, estão condenadas à morte, sem cerimônia.
Para reverter sua postura, dirigentes e associados têm que estar identificados e alinhados com propostas e objetivos bem definidos, para poder exercitar o direito de questionar e reivindicar. Marcar posição e, paralelamente, apresentar opções para medidas que afetem o setor que representam e até mesmo o ambiente de modo geral.
Para ficar num único e significativo exemplo, vai longe o tempo em que a luta por melhores preços unia no mesmo balcão do Conselho Interministerial de Preços (CIP), por intermédio de associações e sindicatos, concorrentes “ferrenhos”. Hoje, talvez, os personagens de ontem estariam brigando por “piores” preços, para conquistar o mercado consumidor e superar a competição interna e externa.
Os dirigentes, ao contrário do passado, não podem esquecer que a unidade não mais se decreta, mas se negocia, se discute e se alcança pelo consenso; não devem ignorar os associados depois de eleitos: precisam, ao longo do mandato, preservá-los e, principalmente, atendê-los, prestando serviços compatíveis com as atividades que exercem. A unidade a respeito de um tema de interesse comum, as elevadas taxas de juros, por exemplo, é salutar para a concorrência e para o desenvolvimento empresarial e econômico.
Tudo isso pede uma nova postura, que passa em primeiro lugar pelo questionamento profundo do papel das entidades. Um acordo para redução de preço de determinado produto, (via queda de tributação pelo governo, como aconteceu com as montadoras) não deve permanecer limitado apenas às partes interessadas. É preciso, indiretamente, envolver outros segmentos que mais tarde possam adotar a mesma prática e, desta forma, as vantagens ofertadas para uns devem ser estendidas a todos. Afinal, nesse caminho, além dos automóveis andam a maioria dos produtos nacionais e seu universo bem maior de consumidores.
Os associados precisam ser mobilizados, cooptados, como grupo de apoio. Porque, para voltar-se para fora, a entidade necessita estar solidificada por dentro. Desta forma, urge a profissionalização das diretorias executivas cabendo a elas atrair e cativar os seus associados. E isso é obtido atendendo interesses básicos de valorização do produto, como, por exemplo, revelando e debatendo novas tecnologias desenvolvidas aqui e lá fora, discutindo mercado, modelos de gestão, otimização de recursos, comprometimento ético, entre outros de interesse da empresa, dos empregados, acionistas...
O importante é que as entidades não cruzem os braços, indiferentes aos novos tempos. O que elas devem perseguir é uma completa identificação com os associados e permanente sintonia com suas aspirações, para tê-los a seu lado em futuras conquistas. Eles vão falar por todos e, às vezes, em causa própria. O questionamento e a reivindicação acontecerão nas entidades, para, depois, serem postos para fora. Para tanto, cabe lembrar que a unidade é fundamental, pois a conquista do mercado não é tarefa para amadores . E nessa caminhada irreversível, devem procurar parceiros, pois acaba corcunda quem olha o próprio umbigo.
* Consultor da FGV Projetos e vice-presidente do IBCO. Artigo publicado no Jornal do Brasil, Outras Opiniões, A11, dia 28.11.2005 ______________________________________
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