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Gestão de carreiras e educação continuada
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Gestão de carreiras e educação continuada João Florêncio Bastos Filho, CMC*
Este artigo pretende desenvolver uma reflexão sobre a importância de que nós devemos, enquanto profissionais, ampliar as nossas percepções de carreira criando oportunidades para dialogar e trocar experiências em equipes. Com este referencial, busca-se desenvolver a autonomia para que possamos aprender a assumir uma maior responsabilidade pelo nosso próprio processo de aprendizagem e, conseqüentemente, adaptar parte deste aprendizado à gestão de nossas próprias carreiras.
Com o objetivo de ampliar a percepção sobre as suas atuais atribuições e o perfeito alinhamento com os novos paradigmas empresariais, muitos profissionais recém-formados na universidade têm encontrado nos cursos de pós-graduação “lato sensu” uma oportunidade de compartilhar suas preocupações, dúvidas, anseios e, principalmente, de conversar sobre os seus medos num ambiente de troca de experiências em equipe.
Em outubro de 1999, durante a realização do I Fórum Nacional Ensino Superior Particular Brasileiro em São Paulo, foi divulgada uma pesquisa realizada em Washington, Estados Unidos, com diretores de Recursos Humanos de grandes empresas. Questionados sobre o que esperavam de um recém-egresso da universidade, classificaram as exigências por ordem de importância: capacidade de trabalhar em equipe, boa comunicação, capacidade de apresentar idéias, dimensionamento de tempo, autonomia para aprender e, por último, conhecimento técnico. Ao analisar a ordem de classificação das exigências, podemos reordená-la tendo por base algumas experiências de alunos de cursos de graduação e pós-graduação no que se refere à autonomia para aprender que, na pesquisa citada, ocupou o quinto lugar e que nos dias de hoje poderia estar entre as primeiras daquela lista de exigências.
A partir da ampla interpretação que o termo “autonomia para aprender” possa provocar, é necessário enfocá-la apenas no sentido de que o profissional, com a orientação adequada e num ambiente que incentive a troca de experiências em equipes, pode ser capaz de assumir grande responsabilidade pelo próprio processo de aprendizagem e, conseqüentemente, adaptar parte deste aprendizado à gestão de sua própria carreira. A construção de uma carreira bem-sucedida pode ser encarada como uma interminável sucessão de disputas diárias pela ocupação dos melhores espaços profissionais. Espaços que são conquistados por meio de estratégias eficazes.
A carreira – como todos os homens – nasce, cresce, amadurece e morre. A palavra “carreira” se origina do latim via carraria, estrada para carros.
Quando nós trafegamos por uma estrada devemos respeitar a sinalização, os limites de velocidade e ter a devida habilitação para dirigir. Se estas condições não forem respeitadas, estamos sujeitos às penalidades aplicadas pelos órgãos responsáveis pelas leis de trânsito. Por analogia, ao longo de nossa carreira em uma empresa, também devemos respeitar a cultura organizacional, sua hierarquia formal e fluxo de poder informal e ter a devida qualificação profissional.
Nós podemos entrar numa estrada de carro, de ônibus, de bicicleta ou mesmo a pé. Nesta estrada vamos nos deparar com outros veículos em velocidades e destinos diferentes. Numa organização, os profissionais iniciam sua trajetória em momentos diferentes e com qualificações diferentes. É necessário respeitar os ritmos de trabalho de cada profissional bem como as suas ambições nas carreiras e ocupações que escolheram. Também podemos entrar numa estrada com sol, chuva, nevoeiro e, ao longo do trajeto, podemos encontrar acidentes, obras e desvios. Numa empresa, o clima organizacional e as atividades do dia-a-dia determinam o comportamento das pessoas. Dependendo das reações a estes comportamentos, são necessários alguns ajustes e correções de rotas. As mudanças no tempo também têm o seu correlato com as mudanças nas organizações, que representam o grande complexo social e tecnológico voltado para objetivos econômicos, na busca da oferta de bens e serviços.
Nos cursos de pós-graduação, existem freqüentes oportunidades para desenvolver bons diálogos sobre cinco necessidades (competências) muito requisitadas pelas empresas com relação aos profissionais, em qualquer área de conhecimento. Estas necessidades estão representadas nas capacidades de: produzir em equipe, comunicar-se bem oralmente e por escrito, aproveitar o tempo, cuidar do próprio aprendizado e cultivar relacionamentos.
1 – Produzir em equipe.
As pessoas que, individualmente, produzem bons resultados sempre serão bem aproveitadas. Porém, se estas mesmas pessoas demonstrarem dificuldades para desenvolver atividades em grupos - que têm vida útil cada vez mais curta e que, por esta razão devem apresentar resultados imediatos – vão perder grandes oportunidades de trabalho e enriquecimento de carreira.
2 – Comunicar-se bem oralmente e por escrito.
A habilidade de transmitir idéias com clareza e segurança é de fundamental importância, uma vez que é crescente o número de empresas que estão incentivando a formação grupos multifuncionais, reunindo colaboradores de vários departamentos e de diferentes formações profissionais, com o objetivo de encontrarem soluções para os seus problemas organizacionais.
3 – Aproveitar o tempo.
Por que será que algumas pessoas e alguns grupos produzem mais? Podemos compreender que pessoas ou grupos que possuem uma visão clara dos objetivos a serem atingidos, que estão comprometidas com os resultados esperados, que estão capacitadas para as tarefas, que são bem remuneradas e reconhecidas e que sabem quais são as expectativas dos clientes, estão potencialmente mais preparadas para administrar e aproveitar o tempo.
4 – Cuidar do próprio aprendizado.
Se nos consideramos profissionais modernos e atualizados, como marinheiros que aprendem a navegar nas mais difíceis tempestades, sabemos que precisamos nos tornar eternos estudantes, para manter a nossa capacidade de competir no mercado de trabalho e para usufruir as novas tecnologias. Por esta razão, é vital permanecer numa condição de aprendizado e atualização contínuos. A educação continuada nos prepara frente aos novos desafios e às constantes e velozes mudanças na sociedade.
5 – Cultivar relacionamentos.
Em cada “porto” no qual ancoramos nossos barcos, nos abrimos para inúmeras oportunidades de conhecer pessoas que direta ou indiretamente irão influenciar as nossas vidas. Cultivar relacionamentos, ao longo dos últimos anos, tem sido uma das mais discutidas competências no mercado de trabalho. O conceito de fidelidade do colaborador para com a empresa mudou muito, a partir do momento em que as empresas começaram a reduzir os níveis hierárquicos e a enxugar o quadro de funcionários.
Identificadas as cinco principais necessidades do mercado com relação aos profissionais, podemos agora analisar os três comportamentos que o profissional poderia desenvolver para melhor dialogar com as organizações.
1 - O primeiro comportamento está relacionado ao aprimoramento da percepção sobre as próprias expectativas profissionais. O autoconhecimento é fundamental no processo de gestão de carreira, uma vez que não existem fórmulas infalíveis para construir uma carreira de sucesso, até mesmo porque o conceito de sucesso pode variar de pessoa para pessoa.
2 - O segundo comportamento consiste em alinhar as nossas atuais atribuições profissionais com os novos paradigmas empresariais, porque nem sempre estaremos fazendo apenas o que gostaríamos de fazer. Isto consiste em sempre lembrar que a carreira é uma estrada onde - em determinados momentos - podemos estar parados no acostamento, trocando um pneu, embaixo de chuva e de madrugada, sendo que o próximo posto de serviço se encontra a cinqüenta quilômetros de distância. Aborrecimentos momentâneos podem servir de lição para que, no futuro, desenvolvamos planos de contingências que nos auxiliem a conviver com os imprevistos e as contrariedades.
3 - O terceiro comportamento se baseia na habilidade de elaborar uma estratégia particular para competir no mercado. Como profissionais competentes, devemos exibir no mercado de trabalho, muitas das virtudes que possuem os melhores estrategistas nos campos de batalha. Para nós, não é novidade ouvirmos que muitas das estratégias aplicadas nas empresas se aproximam daquelas praticadas na guerra. O fato novo é que, às vezes, muitos profissionais, por se acharem altamente qualificados, baixam a guarda e perdem posições para outros profissionais não tão bem preparados, mas que possuem melhor conhecimento do campo onde se trava a batalha.
O profissional, que consegue desenvolver estes três comportamentos, está mais preparado para identificar as melhores estradas e dialogar com os diversos tipos de interlocutores existentes no mercado de trabalho.
João Florêncio Bastos Filho CMC - Administrador pós-graduado em Recursos Humanos pela UNIFEI – Centro Universitário da FEI e pós-graduado em Didática do Ensino Superior pela Universidade Mackenzie. Professor de Gestão Estratégica de Carreiras do curso de pós-graduação em Gestão de Pessoas da UNIMEP – Universidade Metodista de Piracicaba. Consultor em Gestão de Carreiras e Educação Continuada filiado ao IBCO – Instituto Brasileiro dos Consultores de Organização. É também o primeiro consultor brasileiro, na área de Gestão de Carreiras, a obter a certificação CMC – Certified Management Consultant pelo ICMCI – International Council of Management Consulting Institutes, órgão consultivo da ONU - Organização das Nações Unidas. joaoflorencio@interall.com.br (19) 3256-1758 / 9610-6121 – Rua Prof. Manuel Oliveira Raimundo, 100 – Vila Nogueira – Campinas, SP. CEP 13088-091.
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