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O Modal Infoviário
Fonte: Intelog – 04/05/2006
Há um ano, durante a feira Intermodal 2005, aconteceu o 2º Seminário FIESP de Logística, quando foram discutidos os sérios problemas enfrentados pelas empresas dos diversos modais: aeroviário, hidroviário, rodoviário, ferroviário, além de um modal até então por mim desconhecido conceitualmente: o modal dutoviário.

Afinal, um duto é sim uma via de transporte de cargas fluidas. Transportar óleo, por exemplo, de um ponto a outro. Porém, senti falta de uma discussão mais profunda sobre a fundamental importância da Tecnologia da Informação – TI no setor.

Na oportunidade, o representante do Departamento de Infra-Estrutura da FIESP, Saturnino Sérgio, se disse frustrado por ter que discutir no evento exatamente os mesmos temas do ano anterior (2004), o que representava que nada havia melhorado no setor, principalmente no que tangia aos investimentos públicos em infra-estrutura de portos, ferrovias e estradas, bem como da legislação e dos tributos que penalizam o setor produtivo. O positivo foi constatar a modernização das empresas, que investiram pesado para ganhar competitividade e eficiência nas suas operações.

Naquele Seminário, confesso que voltei para casa consternado, pois Santos – o Porto – era insistentemente citado como o grande vilão, causa e conseqüência dos problemas de logística e comércio exterior do Brasil. Como sou santista nascido, criado e torcedor, não consegui ficar conformado.

Na 3ª edição do Seminário, ocorrida em 26 e 27 de abril deste ano, tive a oportunidade de apresentar ao mercado de logística alguns produtos e soluções em TI desenvolvidas por empreendedores da Incubadora de Empresas de Santos, que atenderam necessidades desse importante setor da economia.

Soluções em software livre, como um Buscador Corporativo – coisa que nem o Google tem – além de Portais Corporativos, consultoria web para cadeias de suprimentos (projeto premiado em congressos científicos na FGV-SP e no Chile), além de “pacotes de software” homologados pela Receita Federal para gestão de operadores portuários, gestão de exportação e de faturamento para recintos alfandegados; gestão de instalações portuárias alfandegadas; visualização gráfica de pátios de cargas e contêineres; além de monitoramento e rastreamento de veículos em tempo real. Soluções que atendem as especificidades do Porto de Santos e da legislação brasileira. Tudo “made in Santos”.

Esses criativos empreendedores encontraram clientes que tiveram a coragem de apostar em seu potencial de conhecimento, para confiar-lhes o desenvolvimento de soluções para seus gargalos operacionais.

Em vez de contratarem soluções “prontas”, importadas, de custos proibitivos com licenças e consultoria para implantação e à chamada “tropicalização” (imagine um abacaxi sobre o seu monitor de PC), os empresários locais acreditaram ser possível ter fornecedores locais de TI. O Brasil agradece.

A tecnologia da informação é fundamental para entender as complicadas cadeias de suprimento e a multimodalidade. As empresas de logística não são meras transportadoras. Operam toda a inteligência da operação, da origem ao destino.

É nesse contexto que sugiro que se estabeleça o que chamo de “modal infoviário”, com a internet como a grande via, onde se “navega” transportando informação, utilizando como veículos as soluções web em TI, aliadas às novas tecnologias em telecomunicações. É através da eficiência em coletar e distribuir informações de qualidade que são solucionados muitos dos problemas da logística.

Atendendo-se as demandas tecnológicas do setor de logística e comércio exterior, seus gargalos operacionais não físicos são solucionados, o que aumenta a eficiência dos serviços e a competitividade.

Com empresas de logística mais eficientes, somos capazes – com a infra-estrutura atual – de otimizar o escoamento da produção paulista e nacional, tanto agrícola quanto industrial. Afinal, Santos é responsável por 40% da movimentação de cargas do país. Só isso já a caracteriza como Portal do Brasil. Como um bom “portal corporativo” da empresa Brasil S.A., deve ser uma ferramenta de excelência em informação.

*Santiago Carballo é coordenador da Incubadora de Empresas de Santos

Fonte: Intelog – 04/05/2006